Maria Conceição Aparecida Leme
Minha Primeira Crônica.AS COTAS?
Quando comecei a escrever eu não sabia ao certo ainda o que ia sair da minha mente. Lendo algumas crônicas percebi logo que deveria escrever algo sobre denúncia, conscientização, alerta, etc. E, logo, me veio no pensamento o dia 20 de novembro: "DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA".
Nesse mesmo dia, estava eu, no 3º ano do Ensino Médio, dando aula de História. Era um debate sobre as cotas para os negros na faculdade, pois o assunto agora é vestibular, e surgiram vários questionamentos interessantes: "Professora o cérebro dele (do negro) é diferente do dos brancos? O QI dele é menor do que dos brancos?" Um dos alunos perguntou, posicionando-se: "Professora, lutamos para demonstrar que não somos racistas, então, por que o Presidente da República assina uma confissão de que somos, sim, racistas? A partir do momento em que ele concorda com as cotas para os negros na faculdade, está dizendo que eles são diferentes de nós, brancos. E o mais engraçado é que ele era um marmitão (operário que come em marmita na calçada do portão da fábrica) e, hoje, está no mais alto cargo do Brasil."
Em certo momento, fiquei pasma com os comentários, pois as críticas feitas pelos alunos tinham uma certa lógica. Então, falei que concordava com eles, que a idéia de "cor" nos seres humanos, como foi apresentada nesse assunto, nos leva a refletir que devemos estimular nossos jovens a buscar por meio do estudo, e não por cotas, suas realizações profissionais.
Sobre a autora:
Maria Conceição Aparecida Leme. Nasceu na cidade de Barretos-SP. Fez Magistério e graduação em História e Geografia. Foi professora de Educação Infantil. É professora do Ensino Fundamental e Ensino Médio na rede pública do Estado de São Paulo.
Sempre gostou de ler, principalmente livros que se referem à História do passado. Como escritora, este é meu primeiro texto publicado e tenho três paixões na vida: minhas netas, minha profissão e a leitura.

