sexta-feira, 17 de maio de 2013

O último capítulo da novela

Imprevistos acontecem nos momentos mais importunos de nossas vidas....

O último capítulo da novela

Férias do trabalho, não viajei. Como todo bom pertencente à nova classe C, dinheiro não é problema, não existe problema para aquilo que não se tem.  Ah! Classe C,  prefiro não comentar o significado dessa letra C. Enfim, estava eu em uma bela tarde de sexta-feira, quando fui aproveitar meu merecido descanso de férias em minha preciosa cama.  Peguei no sono, quando abri os olhos, já havia anoitecido, consultei o relógio de cabeceira e percebi que estava próximo ao horário do último capítulo da novela.  Deixei o futebol com os amigos para acompanhar na integra esse grande evento que estava prestes a acontecer, pois futebol a gente joga toda sexta à noite, mas o último capítulo da novela, somente de oito em oito meses. Levantei-me, fui ao banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto, de repente toca a campainha. Quem poderia ser? A essa hora, as pessoas deveriam estar em suas casas para assistir ao último capítulo da novela. Enxuguei-me às pressas, sai do banheiro, corri até a porta, abri.  Foi quando vi um homem caído na soleira, corri para fora olhei em torno, não tinha sinal de ninguém. Óbvio, todos estavam em suas casas esperando o último capítulo da novela.  Abaixei-me toquei aquele homem caído com os dedos, ele estava frio e rígido, percebi que era um cadáver.  Será que ele morreu de emoção por causa do último capítulo da novela? Não poderia ser, nem havia começado.  Corri até o telefone, para ligar para a polícia, mas eu poderia perder o  último capítulo da novela, embora teria a reprise no dia seguinte, no entanto, havia vários outros cadáveres espalhados pelo mundo e o que estava caído em minha porta não faria diferença alguma, além do mais minha ex-mulher assistiria ao último capítulo da novela antes do que eu.
Mas como cidadão que sou, tranquei a porta, a causa era nobre, quem mandou aquele indivíduo parar bem ali, e os policiais também mereciam assistir ao último capítulo da novela. Liguei a TV , estava prestes a começar o... ah, você já sabe.  Quanta felicidade, vai começar, é muita emoção!  Olha o apagão! Perdi o último capítulo da novela.

Sobre o autor:

Valdenir Zegioth é professor de Geografia. Atualmente exerce a função de Professor Coordenador Pedagógico na E.E. Maria Judita Savioli de Oliveira, em Santa Bárbara d’Oeste.

Participou da Turma C-1, primeira turma do curso 'A Crônica na Vida do Professor e na Sala de Aula'.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Noite de Natal

Valdenir Zegioth

Hoje é natal. A casa está em festa. A família reunida. Que legal!

Família reunida, nessa época, é sinônimo de diversão. Para falar a verdade é um verdadeiro circo. A mamãe fazendo verdadeiros malabarismos para a ceia ficar perfeita. Sempre tem um tio palhaço para fazer graça; a tia que sempre avacalha o marido, o outro tio correndo em volta da casa para acertar o primo a vassouradas, por causa daquele pirceng no nariz. Parece o globo da morte.

Natal é assim.

E chega mais um tio metido que mora na capital trazendo, de novo, um daqueles frangões temperados que são vendidos em supermercados e diz: “Já que todo mundo, no ano passado, adorou, eu trouxe. Mamãe, 'relações públicas', acrescenta: “Claro, todos adoramos”. Mas não contava com o meu irmãozinho, muito sincero, num momento de profunda filosofia, que acrescenta: “menos eu”, externando o que todos verdadeiramente pensavam sobre o tal frango. Bastava o tio metido sair e o comentário era geral: “o frango assado da mamãe e o churrasco do papai são muito melhores”.

Acho que é isso que os adultos chamam de ‘convenções partidárias’. Ouvi isso em algum lugar... (mentiras para ficar bem com as outras pessoas). Adultos são assim mesmo, eles pensam que a gente não vê as coisas.

E os micos de natal! Papai correndo até o quintal em busca de boldo, depois de se empanturrar com as rabanadas da tia Maria. E os presentes do amigo secreto? Amigo? Parece mais inimigo na guerra do Afeganistão. É cada presente...

Ah! Não podemos nos esquecer do tio bonachão vestido de Papai Noel dizendo: “oh,oh,oh”, com aquela barba postiça e roupa escaldante em pleno verão, pensando que ainda engana alguém. Minha casa nem chaminé tem... E, onde já se viu, o Papai Noel entrando pela porta da sala, e sem bater? Nem o cachorro o estranha...

É natal, data divertida, muito engraçada. Tão engraçada que não me aguento de tanto rir debruçado na janela. Mas o que vejo na rua! Uma fila de gente muito pobrezinha, com um pratinho na mão, esperando por um pouco de sopa...

Ah... Entendi. Minha família lembrou-se de quase tudo, apenas esqueceu-se de um detalhe: o aniversariante da noite.

Sobre o autor:

Valdenir Zegioth é professor de Geografia. Atualmente exerce a função de Professor Coordenador Pedagógico na E.E. Maria Judita Savioli de Oliveira, em Santa Bárbara d’Oeste.

Participou da Turma C-1, primeira turma do curso 'A Crônica na Vida do Professor e na Sala de Aula'.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Queridos cronistas das turmas A, B, C...

Blogar nos tornou mais próximos... Mais unidos. Nos tirou da efemeridade e nos transportou para um tempo indefinível. Estamos e estaremos sempre BLOGCRONICANDO... Um espaço, por nós, concebido. Cabe a nós mantê-lo sempre vivo, atuante... Cronicamente interessante!

Findaram-se os cursos. Finda-se mais um ano. Aproxima-se o novo. E, neste novo ano, esperamos que todos vocês sejam contaminados apenas pelo ‘vírus’ da felicidade crônica!


Supervisora Ivonete e PC OP Luzia

TURMA B-3

As crônicas abaixo foram elaboradas pelas cursistas da Turma B-3 - 3ª turma do curso: realizado às terças-feiras, das 13h30min às 16h30min. Uma turma composta por professores interessados, comprometidos e muito animados. Foi um imenso prazer estar com vocês e compartilhar as delícias desse saboroso gênero textual: a Crônica.







Que vocês continuem cronicando e blogando, sempre!

SANTO DO DIA

Luciana Beatriz de Leão

Acreditem, todo dia é dia de um santo. Não?! Nem eu sabia! Peço licença aos católicos, não se sintam incomodados pois também vivo no mundo dessas “idolatrias”. Imaginem vocês que para os 365 dias do ano existem comemorações para eles!

Folheando o jornal do dia 23 de novembro, encontrei uma nota sobre o santo da vez. Era São Clemente I. Um simpático velhinho de barbas enormes. Foi o quarto Papa, viveu em Roma e governou a Igreja nos anos de 88 a 97. Priorizou a evangelização e instituiu o uso da expressão ‘amém’.

Lembrei-me, então, do famoso São Longuinhos, escolhido para o dia 15 de março. Viveu no século primeiro, tendo sido contemporâneo de Jesus. O centurião romano que reconheceu Cristo como sendo o ‘filho de Deus’ na crucificação. Ele seria o soldado que feriu o lado de Jesus com sua lança, sendo esta reverenciada, vejam vocês, como relíquia religiosa. Mais popularmente conhecido como protetor para encontrar objetos perdidos. Quem nunca ouviu ou invocou a expressão: “São Longuinhos, São Longuinhos me ajude a achar... (diz-se o objeto) e eu darei três pulinhos”. Haja pique para pagar a promessa!

Hoje, 01 de dezembro, dia da “formatura” do curso de crônica, que santo é, você sabe? “Prazer sou o São Elloy; o Bispo de Noyon-Tournai, em meados de 645 DC”.  Era um talentoso ourives e exemplos de suas habilidades com metais sobrevivem até hoje, em Paris. Por isso, transformou-se no padroeiro dos ourives e dos mecânicos.

Nunca imaginei encontrar tantas curiosidades no mundo religioso. Algumas simpáticas, outras bem estranhas, extravagantes. Mas todo tipo de conhecimento é válido para nos enriquecermos como seres humanos, assim, também, como foi o curso de crônica. Dessa forma terminarei citando alguns dizeres que foram instituídos por esses abençoados santos:
“Fiquem com Deus e... Amém!”

Sobre a autora:

 Luciana Beatriz de Leão,29.
"Passei minha infância no Noroeste Paulista; cursei Letras na FAI - Soler, na cidade de Jales e, atualmente, leciono na rede estadual de ensino, nas escolas: E.E. ProfªSebastiana Paié Rodella, em Americana e E.E. Profº Antonio Matarazzo, Santa Bárbara d'Oeste."

NOVA BRINCADEIRA DE ESCONDE–ESCONDE

Lucimara do Nascimento Lopes

Querida mamãe, entendo perfeitamente a sua preocupação em zelar pelo bem-estar de seu filho. É uma causa que posso apoiar porque sou mãe também. Mas, no caso de seu filho, devo lhe dizer que a senhora cometeu um engano ao me filmar. Aparentemente, é uma medida adequada no caso de desconfiança.

 Em primeiro lugar, não se tratava de um sufocamento qualquer. Quando fui fazê-lo com o seus bebê, assim como já fiz com vários outros, parecia um ato incomum, mas logo ficou evidente que não passava de uma simples brincadeira de esconde-esconde. Eu colocava o pano no rosto do bebê, ele fechava os olhos por uns segundos e depois abria. Chorava para que eu colocasse o pano novamente. Uma brincadeira muito engraçada.

Outras pessoas também brincam: de ver 'quem arranca a roupa primeiro' ou 'você faz carinho no meu bumbum depois eu faço no seu' ou ‘vamos brincar de pega-pega'. Por que não 'brincar de esconde-esconde' que é muito menos ofensivo?

A brincadeira era tão prazerosa que, ao final da tarde, tomávamos um leite bem gostoso.

Tudo estava bem, até você chegar, assistir à filmagem e achar que brincar de esconde-esconde é caso de polícia.

Crônica baseada na notícia “Vídeo flagra babá sufocando bebê com um pano, em Fortaleza”, publicada no R7 da rede Record, no dia 04/11/2009, às 8h18min.


SOBRE A AUTORA:

Lucimara do Nascimento Lopes é natural de São Pedro- SP, nascida em Maio de 1981. É Professora de língua Portuguesa e Língua Inglesa na rede Estadual de Ensino. Tem muito amor pela profissão.

É uma pessoa extrovertida e simpática. Tem um amor incondicional pela família, gosta de ler e está sempre em busca de novos conhecimentos.

As provações por que passamos

Carmen Cecília Groth

Quantas vezes não tivemos que provar e aprovar tantas coisas e pessoas. E muitas vezes, você tenta ser aprovado, faz o teste, não prova nada e, portanto, não passa. Com a namorada, a esposa, sempre temos que provar alguma coisa. Provar que ainda a amamos, que lembramos da data do aniversário dela, onde foi o primeiro beijo ou como foi. Às vezes, faz tanto tempo que não nos lembramos mais. E quem disse que isto é desculpa? Não provou que se lembra, vai dormir na casinha do cachorro, ficar de quarentena, até provar que não a esqueceu. Lapsos de memória... Nem pensar!

Quantos motoristas ao tirar a carteira de habiitação, na prova teórica/prática são reprovados... Sabem dirigir, mas na hora H, o nervosismo; praga de vizinho; uma briga na noite anterior... São tantas as coisas que nos levam a errar algo que nos é tão comum no dia a dia.

Na escola, então, nem se fala. Tantas provas! Provas que são agendadas - ENEM - e "vazam". Na tentativa de uma desculpa, coloca-se a prova na internet para servir de simulado para o aluno e marca-se outra data para a realização da dita cuja... E a prova do SARESP, na véspera da prova, somos avisados que a prova não chegou... Do outro lado o aluno questiona: “Para que esta prova?”, “ Sou obrigado a fazer?” , “Se não a fizer serei punido?” Enquanto, nós, professores, ficamos sem resposta.

Não bastasse estas provas, chegou mais uma a “Prova Brasil”! E nós nem fizemos o ENEM ainda...

No início do ano, disseram-nos que a avaliação deve ser diária, diagnóstica... Por que, então, tantas provas? O que nos querem provar e para quê?

Quanto a nós, por que estamos sempre sendo postos à prova?

Até uma peça do vestuário, quando compramos, é preciso provar. Caso contrário, podemos não aprovar a compra.

Sobre a autora:

Carmen Cecília Groth é professora de Português e Inglês. Leciona há 20 anos.Tem uma filha casada. Trabalhou em duas escolas em Santa Bárbara D'oeste, onde mora e leciona nos períodos manhã e noite na Escola Ulisses de Oliveira Valente.
 “Gosto muito do que faço me considero valente também. Na escola procuro sempre auxiliar ao invés de questionar.”


A culpa é da gravação

Laura Dias
Arruda se defende dizendo que a culpa é da gravação.

Não adianta Arruda, você foi visto.

Foi-se o tempo em que o melhor lugar para se guardar dinheiro era nas burras, embaixo do colchão; nos cofres em casa; nos engraçados porquinhos de porcelana ou em um local muito freqüentado pela população menos favorecida e pouco pelos políticos desonestos: as instituições financeiras, os bancos.
Agora, os políticos, lá do Planalto, estão tão apegados aos numerários que ganham - é claro, com muito esforço – que os carregam juntinho de seus corpos. Passaram a usar calças e sapatos dois, quatro, seis números maiores, só para andar com eles em cuecas e meias. Saibam que quanto mais alto o cargo maior é o número do sapato.

Que vergonha, governador! Ainda tem coragem de desmentir as gravações e dizer que o dinheiro guardado nas meias era para comprar panetones???

Enquanto no Planalto os políticos desonestos aumentam a numeração dos sapatos, recheando-os com dinheiro, cabe a nós eleitores - trabalhadores com os bolsos vazios; contas bancárias no negativo e cartões de crédito estourados - colocarmos um nariz de palhaço pequeno, discreto, pois se a polícia nos pegar, pode nos prender sob a alegação de que estamos causando ‘tumulto’.

Conclusão: iremos parar no Distrito Federal... Op’s, distrito policial, seremos fichados, perderemos os nossos empregos e, finalmente, seremos hostilizados pela família e pela comunidade.

Bobagem. Esqueçam o nariz de palhaço!

Sobre a autora:

Laura Dias é Pedagoga especialista em magistério para deficiente mental. Uma pessoa alegre, sempre sorridente. Sua alegria contagia todos que estão a sua volta.

Amigo

Sandra Souza

Ao despertar, aquela idéia fixa de possuir um animal de estimação não saía da minha mente. Decidi e fui buscá-lo. Optei por um cachorro. Fomos escolher. Logo simpatizei-me com um.

À primeira vista, preocupei-me com sua beleza radiante. Com o passar dos dias percebi que o Booner não era só bonito. Na hora do perigo, mesmo com medo ele latia para defender-me. Os dias foram passando, o Booner crescendo, e a nossa amizade também.

Hoje, após muitas aventuras juntos, percebo como é bom a certeza de ter um amigo e saber que ele nos aceita com as qualidades, com as manias e, até, os defeitos. Não nos abandona porque vai viajar, fazer cursos na Alemanha ou porque comprou um novo apartamento na praia e não tem mais tempo para nós.

Garanto que se, um dia, o Booner viajar para o exterior, ele há de arrumar um segundo do tempo dele para me ligar(porque amigo é assim se não está junto fisicamente, está presente no pensamento, nas atitudes).

O que é um segundo do seu tempo em comparação à grandiosidade de uma amizade?!


Sobre a autora:

Sandra Souza. Graduada em Letras, é professora de Língua Portuguesa e Inglesa, atua na rede estadual de ensino da região de Americana - SP.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Será que mudar os papéis resolve?

Ivo Rogério da Silva

Educadores saem em visita aos alunos para conhecer sua realidade domiciliar. Projeto pioneiro da Secretaria de Educação o Programa de Interação Família –Escola: conhecer para aprender, implantado este ano quer alem das Emefs atingir os alunos de ensino infantil e aprimorar cada vez mais esta busca pelo novo, as mudanças são para melhorar.

Estamos caminhando para um momento diferente na educação, programas de prefeituras invadem o sentido do conhecimento e se misturam com o assistencialismo. Basta de protecionismo barato e de falsificar o conhecimento, deixem o professor fazer o que mais lhe pertence: buscar e levar o saber.

Queremos tanto inovar, que acabamos exagerando nas doses e confundindo funções. Bons tempos eram aqueles em que o professor era a figura representada pelo saber, dedicava sua vida para estar lá, diante daquele que vinha buscar o saber. Mas o tempo passou e a sociedade perdeu o que mais tem de rico: o respeito. E, em nome de uma pseudo liberdade, coloca em xeque a dedicação e a vida, em busca do desconhecido, daqueles que se propõem a levar o saber. Saber que deteriorado com tantas invenções e funções, nos permite questionar: “onde está o saber?”

Vamos dar uma cara nova ao saber, valorizando e personificando cada vez mais o papel daqueles que estão para o saber. Deixe desabrochar a coruja que esta no interior desta figura insubstituível que é o professor. Deixemos sim que os sociólogos, assistentes sociais, façam este trabalho e levem, sim, as famílias a se encontrarem e buscarem também o conhecimento que falta para uma vida mais digna e salutar.

Deixemos este protecionismo de lado e nos abramos ao conhecimento profundo do ser, do desvendar os mistérios do outro e de nós mesmos. Os nossos pais e alunos merecem este retorno ao saber.


Sobre o Autor:


Ivo Rogério da Silva é Professor de Filosofia da Rede Pública do Estado de São Paulo, formado em Filosofia pela UNICLAR, Teologia pela PUC do Paraná e Pedagogia pela FIA de Amparo. Escreve para o Jornal "O Liberal" toda semana em seus mais diversos temas e artigos ilustrando assim nossa cultura e escrita.

Sob o Sol de Dezembro

Anna Teresa Rojas Molina Assumpção Gouvêa

Sol de dezembro, o calor é infernal e o meu desejo mais íntimo é por azul: azul cobalto, azul real, anil, turquesa... Uma profusão de azuis é o que espero para janeiro. Eu até já apaguei o vermelho e branco, cores tradicionais para o final de ano. Será a pressa, ou o ritmo acelerado do tempo? De qualquer maneira estamos vivenciando de forma diferenciada, diga-se de passagem, os “finais” que chegam atropelados entre arrochos de chefias, gráficos e porcentagens, além das profecias; novidades tecnológicas e cataclismos. Não nos esqueçamos da gripe.

Por tudo isso, nosso pensamento exausto se adianta em busca de descanso, o tão sonhado descanso. “Sombra e água fresca”.

Chega! E quando digo chega, refiro-me a ações que vão desde o cessar fogo, nos morros cariocas e nas trincheiras atuais das variadas guerras e conflitos, até o fim das epidemias contemporâneas e à falta de amor próprio e aos circundantes. E tudo isso porque, o meu desejo de convivência é antigo, muito antigo, vem lá de nossa ancestralidade social onde um pequeno grupo se punha diante de uma fogueira, com uma luz incerta a fazer sombras nas paredes das cavernas e o calor sendo suficiente para aquecer os homens e para contextualizar a ficção das suas aventuras ali narradas...Bons tempos de convivência .

Hoje, em pleno século XXI, em busca de paz interior e conforto entre amigos sigo a solidão de meu dia a dia. Sempre rodeada de pessoas, mas muito sozinha. E eis que na faina diária, sol a pino, calor abrasante, céu azul (azul até demais), escancara-se o dia e a imagem que descreverei a seguir. Ela abre-se diante dos meus olhos sem nem mesmo me pedir licença e com ela, em anexo, a própria fragilidade humana, explícita e surpreendente, deixando estupefatos os menos avisados, os distraídos...

E foi assim que o acaso me pregou uma peça, uma cena patética, nos primeiros momentos e, em seguida, digna de compaixão, pedindo cumplicidade a nós mulheres.

Vamos ao fato, meio-dia e quinze minutos, céu azul, azul até demais, saio do trabalho e, como nos outros dias, tenho trinta minutos para almoçar e me dirigir ao segundo turno de minha jornada diária. O tempo é curto, dá só para uma retomada de fôlego. Filhos a bordo, reivindicando coisas banais, inclusive o som do carro, e lá vamos nós no heavy metal e mais o calor, que é escaldante. Ligo o ar condicionado e fecho os vidros. Um escudo invisível, inclusive para os ouvidos. Desligo-me de tudo, ou quase tudo, ligo o piloto automático, que olha o trânsito e confere o trajeto de sete minutos até minha casa, mas é justamente esse mecanismo (não tão infalível assim) que me avisa: “Alerta, obstáculo na pista”... Antes mesmo de conferir, diminuo a velocidade, firmo o olhar... De costas o vulto é de uma mulher, no meio do asfalto, correndo à frente do carro. Olho no retrovisor, ninguém atrás. À esquerda, o mesmo prédio abandonado, as janelas sem os vidros são como órbitas que há muito perderam a vida e por isso estão cegas a qualquer movimentação que não seja a de sempre. À direita, árvores antigas, e egoístas, impassíveis diante do asfalto. Mas, à frente, havia uma mulher, uma mulher no meio do caminho... Maratonista? Talvez...

Adivinhando as minhas perguntas-pensamentos, ela diminui a marcha, olha para trás, nossos olhares se encontram, ela hesita. Eu paro o carro no meio da rua, ela, inesperadamente, de frente para o carro, diante dos meus olhos e dos meus filhos, mudos diante da cena. Braços abertos em frente ao vidro panorâmico do carro e ela me pede em desespero: “ Me mata, moça, me mata!?” Com os olhos pregados nela respondo sem pensar: “Minha senhora, o que é isso!?” A voz sai do fundo, quase como um pensamento que escapa sem permissão. Ela continua: “Eu quero morrer!” Sem titubear argumento: “Mas minha senhora, sua vida é tão preciosa! Por que morrer?” Ela conclui:”Meu marido me traiu!!!”

Num misto de espanto pela ingenuidade e pureza daquela declaração, admirando a honestidade e, por que não dizer coragem, assumida diante da confirmação do adultério (seria covardia?), retomo a direção do carro, ela por sua vez dirige-se para a lateral da rua. Já posso olhá-la de lado, então tirei o pé do freio e lentamente o carro seguiu, pela força da gravidade, morro abaixo. Meu desejo íntimo era de estacionar, descer do carro, tomar-lhe as mãos, sentar-me com ela ali mesmo na calçada e ouvi-la, depois oferecer-lhe uma carona, talvez, dizendo: “ Minha senhora, apesar dos traídos(as)e das traições, a vida continua”

Fui despertada pela voz de meus filhos; “Mãe, olha a hora!” Olhei o painel do carro: 12h30min. Voltei-me para a mulher, ela já desviara o seu olhar. Acho que fiquei parada ali por segundos. Ela parecia determinada a fazer com que alguém assumisse com ela o ônus de sua morte e seguia correndo em direção aos carros que se desviavam dela. Tirei o pé do freio e acelerei, não muito e quase a alcancei novamente. Ficando próximo o bastante, pus a cabeça para fora do carro e gritei: “Minha senhora, se a senhora morrer, ele fica com a outra, viu!? ”Ela hesitou, voltou-se para mim, olhar perdido, pareceu querer voltar, mas agora fui eu que aumentei a marcha, pois tinha um carro atrás, uma moto ao lado e todos olhavam para mim sem entender nada . À frente o semáforo avermelhou e eu tive que parar. Pelo retrovisor pude vê-la no meio do cruzamento, estava determinada a encontrar alguém que lhe tirasse a vida.

Sobre a autora:

Anna Teresa Rojas Molina Assumpção Gouvêa - Professora da Rede Pública e Privada, graduada em Letras e pós-graduada pela Faculdade de Educação- Unicamp - Mestrado.
"Aos 12 anos tinha o grande sonho de ser escritora de livros infantis. Hoje, me contentaria em escrever crônicas."

Compras na Capital

Lázaro Jair de Paula

Queria eu comer aquele pedaço de bolo que estava jogado em uma sacola, na lixeira.
Olhando com olhos de fome, como todo menino que catava latinha para vender. Já cansado do sol escaldante, daquele dia de verão, com os pés cheios de calos, com sapatos furados... Dava dó. Se, por acaso, pisasse em uma moeda, daria para saber se era cara ou coroa.
Mergulhado no suor do sol escaldante, já chegava a tarde de verão, tinha ido à capital em busca de sonhos. além de conhecer aquela tão famosa cidade, compraria alguns objetos para revender e lucrar alguns trocados. O dinheiro que levei, mal dava para comer. Pensava: "Se eu gastar com comida não levarei nada. Está tudo muito caro por aqui."
A fome apertando, assim como apertava aqueles miseráveis trocados no bolso. Tinha medo que alguém os roubasse e meus sonhos iriam por água abaixo.
No entardecer, já cansado, nada tinha comprado. A sacola estava vazia... tal qual minha barriga.
Resolvi sentar-me, para descansar um pouco, na primeira calçada que avistei. Sonhava com o prato de arroz com feijão que minha mãe fazia, e também, com o ovo frito, cuja gema mais se parecia com uma bola de ouro. Olhava para o céu lembrando do sol escaldante do meio dia.
De repente, olhando para a lixeira,  me lembrava daquele pedaço de bolo de fubá sobre a mesa do café da manhã, que minha fazia. Não era o meu forte... Nunca gostei de bolo de fubá! Queria mesmo era comer bolos com recheio, cobertura e chocolates. Mas, nunca tinha. Era sempre aquele bolo de fubá.
E, minha mãe brigava comigo. Dizia: "Coma!" Isto é para matar a fome.
Vocês nunca ouviram aquele ditado: "Quem não tem cão, caça com gato!"

Sobre o autor:

Lázaro Jair de Paula é professor de Língua Portuguesa e trabalha na rede estadual de ensino de Americana, Santa Bárbara d'Oeste e Piracicaba.

A Velocidade da Vida

Ivone Gomes

Maria sentou-se em frente ao computador ligou o aparelho e em alguns segundos já estava navegando pelo mundo virtual, enquanto lia as notícias, começou a se lembrar de quando era criança.
Ela nasceu na época em que a comunicação a distância era feita através de cartas. Quando alguém queria dar notícias a um parente distante escrevia uma carta e, após algumas semanas, recebia a resposta, às vezes, mandavam notícias de uma pessoa que estava doente, porém quando o destinatário recebia a correspondência o ente querido já estava enterrado.
Hoje, a dor e a alegria chegam de maneira mais rápida, o mundo caminha mais rápido, as crianças perdem a inocência mais cedo, as informações caem como raios sobre as nossas cabeças. Na velocidade da vida, quem não consegue acompanhar os avanços vai sendo atropelado e deixado para trás.
Maria estava diante do mundo, diante das notícias de violência, catástrofes, acidentes... Pensando como a ciência evoluiu e continua evoluindo. O que ontem era tecnologia de ponta, hoje é produto obsoleto. Em sua mente, surgiram várias questões: “Porque será que o ser humano continua matando seus semelhantes, como Caim fez com Abel?” De lá pra cá, tantas coisas mudaram... Por que apesar de tantos avanços o amor e a paciência tornaram-se sentimentos obsoletos em relação à pressa, à urgência de chegar, e ao desejo de poder? Cada um com seu carro, pois o transporte público é ineficiente, as ruas não têm mais espaço, os nervos estão à flor da pele. Como nos joguinhos de computador, o vencedor é aquele que destrói tudo o que o impede de chegar mais rápido ao seu objetivo. Dessa forma, as pessoas convivem com o seu semelhante: "quem pode mais chora menos".
Nesse momento, Maria desejou, no fundo do seu coração, que os cientistas inventassem um aparelho de bons sentimentos (já que a tecnologia é tão respeitada) para que, ao simples toque de um botão, o ser humano pensasse em seu próximo com mais amor e respeito. Assim,  mesmo que as notícias chegassem rápido, elas causariam menos dor.

Sobre a autora:



Sou professora de Língua Portuguesa e Inglesa. Trabalho na Escola Estadual Jorge Calil. Gosto muito de poesias, crônicas, músicas.

Panetone para quem tem fome

Claudineia da Silva
Nada a declarar se temos que doar...
Nada mais lindo que ajudar o próximo....mas é claro com o dinheiro do próximo .
Vivemos num país que precisa de segurança; que precisa de proteção. Infelizmente, não temos ainda esses direitos assegurados.
Talvez, por isso, criamos as nossas próprias estratégias para nos assegurarmos, nos protegermos.
Buscamos nos proteger de qualquer forma .
Há tempos, as senhoras, quando dispunham de quantias altas colocavam-nas entre os seios.
Passados muitos anos, os homens também se preveniram colocando dinheiro na cueca... Hoje é colocado nas meias, até porque, colocar em maleta gera suspeita!!!
Portanto, para nos protegermos, coloquemos nossos valores em cuecas, em meias... até que apareça uma outra estratégia mais criativa.
O importante é proteger as doações... Está chegando o Natal, época de festas, época de fazer o bem.
E, falando em Natal, me veio em mente panetones... Então, para garantir a doação de panetones, vale tudo! Só não vale guardar os panetones nas meias.

Sobre a autora:
Claudineia da Silva, professora, 34 anos. Atualmente, está lecionando na E.E. Irene A. Saes, em Santa Bárbara D'Oeste - SP.

Saga Crepúsculo

Antonio MarcosMoreira

Depois de ouvir uma professora de filosofia comentar com outra amiga que passou o filme Crepúsculo para seus alunos, que eles adoraram e depois disto fizeram uma reflexão filosófica. Então, me inquietei. Qual é a importância deste filme para a filosofia?
Então, em um fim de semana qualquer, assisti a alguns filmes, dentre eles, o tão esperado Lua Nova, da saga Crepúsculo.
Pois bem, vou começar falando de Crepúsculo, um filme que nasceu meio desacreditado. Eu, na verdade, não sabia nem que era livro, quiçá uma saga! Assistindo a um programa que narrava os últimos lançamentos do cinema, vi esse filme que falava somente a respeito de um amor entre uma menina e um vampiro adolescente com cara pálida. O que me chamou a atenção na hora, foi a ideia de que o filme tinha tido pouca atenção da mídia e um orçamento baixo, porém com uma ótima repercussão. Pronto já mandei bala no Google, Torrent, e por ai vai...
Assisti junto com alguns amigos. De um deles partiu o primeiro comentário:
- Nossa que filme legal!
Pouco tempo depois, a febre começou. Eu mesmo não me lembro de ter passado em frente a algum cinema, visto no Omelete ou qualquer outro site sobre cinema, alguma menção sobre esse filme. Talvez pra quem já tenha lido o livro ele já fosse esperado, mas para quem não imaginava o que era o filme conquistou sim um “patcha” público.
Agora, vejo um filme que nasceu quase como Underground que provavelmente iria rolar só na Internet ou de, vez em quando, alguém pegaria na locadora e seria criticado por ser um filme de adolescente. Um ‘American Pie’ romântico.
Definitivamente, creio que crepúsculo e a sua continuação são mesmo um série de filmes simples, um historia simples, e bem amarradinha, sem um orçamento multibilionário, como um Matrix, Transformers e outros. Mas é um filme que atrai. Críticos adoram dizer que filmes, hoje em dia, não têm criatividade, tem uma enorme ausência de história. Agora, um filme simples com uma história simples já é um filme de Teen.
Em todas as situações acima, não digo simples, por conta de simplório, ralé e tal, digo simples, no sentido de se entender o filme, ou seja, simples na forma de se assimilar.
Não vou ficar aqui falando dos mais novos namoradinhos da América (Kristen, Pattinson, Lautner), mas é um filme com boas atuações. Se bem que ator bom é o que agrada o público. Ser um sheakspeariano e viver fazendo peça só pra outros atores é complicado.
Em país onde atores, escritores e outros senhores que adoram fazer coisas para um sociedade elitista à parte, grandes BlockBusters como esse fazem o sucesso que fazem.

Sobre o autor:
Antonio Marcos Moreira é professor de Filosofia na E.E. Profª Sebastiana Paié Rodella, em Americana - SP.

Vou ser mãe

Lice Sônia da Silva de Melo Bertonha

Ser mãe sempre foi o meu sonho. Tudo muda na vida da gente.
Ser mãe é ter uma vida de renúncia da própria vida. Tudo fica diferente, desde o inicio da gravidez, começamos a nos privar de coisas que dizíamos jamais nos afastar.
Percebi que tudo acontece em função desse novo ser, que está se formando em meu ventre, desde o primeiro momento: a expectativa de ver o resultado do teste e a emoção ao ver o “positivo”. É uma vida que está se preparando para chegar neste mundo.
A vida passa a ser outra: os lazeres, os horários, a alimentação, noites sem dormir, aprender a identificar cada choro, cada mudança de humor e, até mesmo, cada sorriso. A partir do nascimento, vivenciarei todas essas experiências. Tudo muda em nossa volta: os pensamentos, os conceitos, até os valores. Estes podem aumentar, porque vem aí uma nova vida para se cuidar...
Na expectativa da chegada do grande dia surgem: a emoção, a ansiedade, a alegria, o entusiasmo! Chegam as preocupações: dar banho; mudar as fraldas (muuuuitas...); amparar os primeiros passos; ajudar a crescer e... transmitir valores.
Serei mais uma mãe neste mundo, dentre tantas. Muitas enfrentam dramas, dificuldades e, infelizmente, existem as mães que nem se preocupam com seus filhos...
Ser mãe é sentir crescer algo divino dentro de nós, durante nove meses.
Ser mãe é cumprir uma grande tarefa.
É passar noites sem dormir...
É ralhar, quando preciso.
É planejar em conjunto.
É renunciar da própria vida, pela vida do pequeno ainda esperado .
Não importa a idade de ser mãe... Acima de tudo, o que importa é saber amar.
Não importa o momento, ser mãe é divino em qualquer tempo!
Esses pensamentos vão ser o meu novo conceito de vida daqui a alguns meses.



Sobre a autora:

"Nasci em 19 de março de 1978. Sou professora de Língua Portuguesa e Língua Inglesa, graduada em Letras. Trabalho no Programa Escola da Família, desde 2004. Sou casada e agora vou ter uma nova experiência de vida: serei mãe. O que eu mais gosto é de sempre estar aprendendo coisas novas."

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

É dia de cinema

Luciana Beatriz de Leão

Num fim de semana desses, fui até um hotel cinco estrelas para aproveitar suas maravilhas. Busquei a qualidade de seus serviços, afinal todo mundo merece um dia de cinema.

Era um tal de “o que a senhorita deseja?”, “está servida?”, “quer mais alguma coisa?”. Prato sujo pra lá, prato limpo pra cá, “outro talher senhorita?”. Definitivamente acabei me sentindo a “important person”- desculpe meu inglês.

E os valiosos pratos sofisticados - tinham cada nome - se não conhecesse um pouco do estrangeirismo, literalmente, estava na roça, perdida memo, sô... como diziam meus antepassados. Sem contar as belas sobremesas surreais que ainda me dão água na boca. Hum, que delícia!!!

Depois de viver diferentes sensações e voltar para a rotina, de uma coisa tive certeza: é muito bom ser tratada dignamente, nos faz sentir mais confiantes, otimistas. Uma renovação para enfrentarmos as adversidades da vida, mesmo por uma simples gentileza de um garçom.

No cinema podemos estar todos os dias. Só depende de nós!

Sobre a autora

Luciana Beatriz de Leão,29.
"Passei minha infância no Noroeste Paulista; cursei Letras na FAI - Soler, na cidade de Jales e, atualmente, leciono na rede estadual de ensino, nas escolas: E.E. ProfªSebastiana Paié Rodella, em Americana  e E.E. Profº Antonio Matarazzo, Santa Bárbara d'Oeste."

domingo, 29 de novembro de 2009

A moça do vestido curto

Gisele Adriana Moraes

Dias atrás nos deparamos com mais um acontecimento que para mídia é um “prato cheio” para o sensacionalismo. Na verdade, particularmente, não vejo motivo para tanto, mas como vivemos numa sociedade puritana que se baseia em falso moralismo... Estou me referindo ao caso “Geisy Arruda”, a moça que foi para a faculdade com um vestido curto. A sindicância consoante com o Regimento Interno da faculdade nos termos do artigo 216, parágrafo 5, e do artigo 207, da Constituição Federal, colheu depoimentos de alunos e alunas, professores, funcionários e da estudante envolvida, além de analisar vídeos e imagens divulgadas.

Os fatos:

Foi apurado que a aluna tem frequentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade, e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento. Isso foi o que a faculdade alegou em sua defesa.

Hoje, o Brasil, um país emergente, que vem constantemente evoluindo e tornando-se centro das atenções para outros países, dá importância para uma moça com um vestido curto, num dia comum, na faculdade.

Por que não priorizar a questão da qualidade do ensino no país, melhorar a segurança, o transporte, a saúde, do que se voltar para uma moça de vestido curto na faculdade? Infelizmente, o jornal “vende” mais notícia ruim e tragédias. As revistas, assuntos sobre cosméticos e fórmulas milagrosas de emagrecimento. Vejo que a banalidade caiu no gosto popular .

Será que essa moça está certa de aproveitar seus quinze minutos de fama? Foram os muitos dos que são contra essa postura que a colocaram na mídia. Fazem parte de um povo que ‘compra’ tudo o que está sendo ‘vendido’ pela mídia.

E a sociedade continua com o falso moralismo, em pleno século vinte e um, embora a censura tenha ficado para trás há muito tempo...

Por que não priorizar soluções necessárias para salvar o que resta do nosso planeta ao invés de dar tanto ibope a uma moça de vestido curto, no cotidiano de uma faculdade?

Sobre a autora:

 Gisele Adriana Moraes, 32 anos, natural de Mogi mirim - S.P. É professora de Filosofia e Sociologia. Atualmente, leciona na E.E. Prof. Wilson Camargo, em Americana – SP. É uma pessoa muito determinada, participativa e está sempre em busca de novos horizontes.

Experiência do Absurdo

Assis Henrique Brugnera

Caro leitor, inicio essa crônica relatando a experiência que tive quando me deparei em pensar o absurdo. Então, decidi escrever para dizer um pouco sobre a experiência do absurdo na vida humana que se revelará sendo o sentimento do absurdo.

O sentimento do absurdo é o ponto de partida da reflexão sobre a existência humana que pode ser desencadeada por uma situação extraordinária ou trivial no cotidiano da vida humana, por exemplo, tropeçar em uma calçada com buracos. Mas, o que é o absurdo? É aquilo que faço e não tem um sentido definido para minha vida.

A reflexão sobre a vida, sendo ela interior ou exterior a mim e distanciada de mim, leva ao corte do absurdo.

Se a existência humana determina o sentido para a vida, resta-nos descobrir como seria este “sentido” para melhor viver, a fim de romper com o absurdo, que se dá quando faço algo, mas não dou sentido a isso.

Uma forma para isso seria pensar sobre o sentido da existência, pois como diria Sócrates, “uma vida que não é refletida não é digna de ser vivida”. Ao colocar a racionalidade para refletir sobre a existência, eu corto o absurdo e coloco a questão genérica – “Como isso aconteceu?” – para a minha vida e de quem está ao meu lado. (O que acontecerá comigo, já que isso ocorreu?).

Devemos usar a razão para buscar as justificações que respondam a perguntas angustiantes, de forma coerente e comparativamente, sem cair no subjetivismo.

Sobre a autor:


Graduado em filosofia pela PUC-Campinas, especialista em bioética. Possui vários artigos publicados em revistas científicas. Atualmente é professor de filosofia na rede estadual de ensino.

Olho por olho, dente por dente

Adriana de Jesus Olivatto Garcia

Embora essa expressão tenha sido abominada já na época de Jesus Cristo, os professores da rede pública estadual serão vítimas de suas próprias condutas.

Vou explicar. No final do ano é comum alguns alunos ficarem de recuperação por não terem cumprido bem seus deveres.

A reclamação é geral, pois nada mais estressante e injusto do que algumas horas a mais na escola. E eles dizem: "Ah! Recuperação, provas, trabalhos, nada disso é justo! Tanta coisa pra curtir!"

 E o professor, já fadado de tanto trabalho, tenta unir o útil ao agradável. Elabora atividades mais interessantes, estimula-os com aquela conversa amiga: "Quem faz recuperação tem chance de aprender mais." Ninguém está interessado neste papo. Festas, baladas, encontros são muito mais interessantes.

Enfim, depois de tanto consolar e explicar... e arrancar os últimos cabelos brancos que lhes restam, diz:
- Acreditem, não é nenhuma piada... Nós, professores, também passaremos por uma avaliação neste final de ano. Mas, entre vocês e nós há uma incrível diferença: - não sabemos se seremos aprovados pela progressão continuada ou se teremos nossa carreira encerrada.

Sobre a autora:

"Nasci em 30 de abril de 1973. Sou professora formada em Letras e leciono na cidade Nova Odessa desde 2005. Sou casada, mãe de três filhos lindos e gosto muito de escrever e cantar.

As Cotas?

Maria Conceição Aparecida Leme
Minha Primeira Crônica.

AS COTAS?

Quando comecei a escrever eu não sabia ao certo ainda o que ia sair da minha mente. Lendo algumas crônicas percebi logo que deveria escrever algo sobre denúncia, conscientização, alerta, etc. E, logo, me veio no pensamento o dia 20 de novembro: "DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA".

Nesse mesmo dia, estava eu, no 3º ano do Ensino Médio, dando aula de História. Era um debate sobre as cotas para os negros na faculdade, pois o assunto agora é vestibular, e surgiram vários questionamentos interessantes: "Professora o cérebro dele (do negro) é diferente do dos brancos? O QI dele é menor do que dos brancos?" Um dos alunos perguntou, posicionando-se: "Professora, lutamos para demonstrar que não somos racistas, então, por que o Presidente da República assina uma confissão de que somos, sim, racistas? A partir do momento em que ele concorda com as cotas para os negros na faculdade, está dizendo que eles são diferentes de nós, brancos. E o mais engraçado é que ele era um marmitão (operário que come em marmita na calçada do portão da fábrica) e, hoje, está no mais alto cargo do Brasil."

Em certo momento, fiquei pasma com os comentários, pois as críticas feitas pelos alunos tinham uma certa lógica. Então, falei que concordava com eles, que a idéia de "cor" nos seres humanos, como foi apresentada nesse assunto, nos leva a refletir que devemos estimular nossos jovens a buscar por meio do estudo, e não por cotas, suas realizações profissionais.

Sobre a autora:

Maria Conceição Aparecida Leme. Nasceu na cidade de Barretos-SP. Fez Magistério e graduação em História e Geografia. Foi professora de Educação Infantil. É professora do Ensino Fundamental e Ensino Médio na rede pública do Estado de São Paulo.
Sempre gostou de ler, principalmente livros que se referem à História do passado. Como escritora, este é meu primeiro texto publicado e tenho três paixões na vida: minhas netas, minha profissão e a leitura.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Minha crônica nada cômica

Iraní Rodrigues Bandeira

Nada como levantar de bem com a vida, depois de uma boa noite de sono, pronta para a missão que me foi incumbida: desenvolver um projeto de meio ambiente na escola. Coisinha simples e prática. Unir o útil ao agradável.

Após pesquisa na internet, leitura de revistas e jornais encontrei dentro de uma caixa de livros velhos (o que é comum na casa de uma professora, filha de uma professora...) um manual de práticas de economia de energia elétrica e a partir daí surgiram muitas idéias.

Destacou-me a importância da troca das lâmpadas comuns pelas fluorescentes, economizando no bolso do consumidor e as fontes de energia. Mas se incentivasse a troca das lâmpadas seria correto orientar também sobre o descarte consciente dessas lâmpadas, afinal nelas contém mercúrio, elemento químico prejudicial à saúde e a natureza.

Com apenas alguns telefones e tudo estará resolvido (esse foi meu pensamento... inocente pensamento meu...).

Primeira ligação: Prefeitura.

_Bom dia! Gostaria de falar com o responsável por projetos de meio ambiente. Sobre descarte correto de lâmpadas fluorescentes, sou da escola....

_Desculpe, não temos nenhum projeto desse tipo. Você já ligou na Vigilância Sanitária?

_Tudo bem, obrigado.

Segunda ligação: Vigilância sanitária.

_Boa tarde! Gostaria de falar com o responsável por projetos de meio ambiente, sou da escola....

_Desculpe, não temos nenhum projeto desse tipo. Você já ligou no Meio Ambiente?

_Tudo bem, obrigado.

Terceira ligação: Meio Ambiente.

TUUUUMMMMMMM, TUUUUMMMMMMM, TUUUUMMMMM!!!!!!

Ninguém atende.

No dia seguinte. Quarta ligação: Meio Ambiente.

_Bom dia! Gostaria de falar com o responsável por projetos de meio ambiente, sobre descarte correto de lâmpadas fluorescentes...

_Desculpe. Poderia ligar mais tarde, pois ele não se encontra no momento.

_Tudo bem, obrigado.

Mais tarde... Quinta ligação.

_Boa tarde! O responsável sobre projeto de meio ambiente se encontra?

_Desculpe. Poderia ligar amanhã, pois ele já foi embora.

_Tudo bem, obrigado.

No dia seguinte. Sexta ligação.

_Bom dia! O senhor é o responsável pelo projeto de meio ambiente, mais especificamente sobre descarte correto de lâmpadas fluorescentes?

_Bom dia! Fui infirmado de sua ligação. No momento não temos nenhum projeto ligado a esse assunto. O que posso ajudar é dando palestra. Caso haja interesse, anote o e-mail e agende para o ano que vem. OK?!?

Meu queixo caiu no chão, fiquei perplexa.

Ao chegar a minha escola no dia seguinte meus alunos vieram empolgados perguntar sobre o projeto. Chateada expliquei o ocorrido e o meu desinteresse em continuá-lo.

Para meu espanto, não foi o que aconteceu.

Lápis e papel, os grupos foram se dividindo, cada um com uma função. Uns fizeram cartazes, outros criaram um blog, slides para apresentação. A notícia correu pelos corredores da escola, e foi além, para a comunidade.

Sempre que passava pelos corredores, pela manhã, tarde ou noite, era interrogada sobre o andamento do projeto. Foi divertido, fiquei popular na escola. Pude ver meus alunos trabalhando em equipe, todos os funcionários da escola ajudando. O apoio da direção e coordenação foi fundamental.

Ufa! Concluímos o projeto e estamos recebendo os primeiros frutos. Com a colaboração dos alunos e da comunidade, estamos recebendo as lâmpadas queimadas na escola, esperando um montante de cem lâmpadas para podermos enviar para uma empresa próxima daqui que faz a descontaminação das mesmas.
Estou satisfeita. Agora já posso voltar a ter uma boa noite de sono!

Sobre a autora:

Iraní Rodrigues Bandeira nasceu em Adamantina-SP, em 1972. Graduada em Letras. Atualmente, trabalha na E.E.Dr. João Thienne, em Nova Odessa, como professora de Língua Portuguesa.

A dor da separação

Iraní Rodrigues Bandeira

Inicia-se mais uma semana, como outra qualquer. A correria do trabalho, o cuidado com a família, dia após dia. Apenas um telefonema na madrugada muda todo o curso de nossas vidas.
Nesse telefonema a triste notícia: “nossa mãe faleceu”.
Não tem muito em que pensar, apenas amanhecer o dia, pegar a estrada. Serão quatrocentos e oitenta quilômetros para pensar o que fazer a partir de agora. Um pensamento não me sai da cabeça: agora não tenho mais pai nem mãe.
Após horas intermináveis, até que enfim amanhece o dia para darmos início à nossa viagem. Viagem essa que parecia não ter fim, a pista cada vez mais longa, até o encontro com a família no velório, o carinho e o abraço dos amigos que vem nos consolar, pois a dor da separação é grande. Para minha surpresa o local encontrava-se repleto de pessoas. Algumas conhecidas, outras não.
Encosto-me na urna, como se um filme passasse em minha mente. Entre tantos os momentos que vivemos juntas lembrei-me dos mais alegres, das festas de fim de ano, nossas viagens, das compras no mercado, até mesmo das festas da escola onde ela lecionava, pois sempre que podia ela nos levava.Houve momentos tristes também em nossa caminhada, tribulações, aflições, desentendimentos, mas em nenhum deles eu respondi a ela ou tratei-a mal. Procurei em todos meus pensamentos, em minhas lembranças , mas não encontrei nada que me acusasse, que me trouxesse remorso.Fiz tudo enquanto pude, em vida.Até o mais simples: um beijo.
Por um momento parecia até que ela ainda estava respirando. Tornei a olhar. Foi apenas uma impressão. Nesses últimos anos minha mãe foi acometida por enfermidades. Muito sofreu,mas agora ela estava ali, calma e serena, como se apenas dormisse, como sei que dorme o sono dos justos e, ambas, estávamos ali, juntas pela última vez nesta vida, e em paz.



Sobre a autora:

Iraní R. Bandeira nasceu em Adamantina em 1972, trabalha atualmente na E.E.Dr. João Thienne como professora de Língua Portuguesa.

O acomodado

Madalena Alvarez Cainelli

Sabe aquela pessoa que se levanta no domingo, às 10 horas, toma seu café e senta-se para assistir ao Domingo Espetacular? Fica sentado ou deitado no sofá e dá um berro:
- BEM, TRAZ UMA BOLACHA...
A esposa, com toda a educação que tem, leva a bolacha, dá-lhe um beijo e volta aos afazeres domésticos...
Menos de cinco minutos depois...
- BEM, TRAZ UM CAFÉ...
Lá vai a esposa novamente e faz o mesmo ritual.
Finalmente, o almoço está pronto. A dedicada esposa o chama para almoçar.
Logo após o almoço, ela pede ajuda para arrumar a cozinha. Ele, por sua vez, fala que não pode, devido ao fato de ter comido demais.
Aí o bicho pegou...
- Você nunca faz nada!!! Éum acomodado! Fica aí deitado, só engordando! Eu lavo, passo cozinho. Não dá... Assim não dá!!!
- Calma, acho que o almoço não me caiu bem...
- O que não me cai bem é esse seu comodismo. Tenho que trabalhar dois períodos fora, e um período em casa e no final de semana, não tenho ajuda, nem sossego!!!
- Calma, benzinho! Vá para a sala, assista ao filme do Sherek, e não se incomode que eu lavo a louça.
A esposa vai para a sala, respira fundo e pensa: “só assim que eu tenho folga”.
Depois da grande discussão a esposa se acalma. Eles fazem as pazes e vão para..., ops! Não posso escrever o que aconteceu depois...

 Sobre a autora:

"Tenho 34 anos, sou casada e exerço a linda profissão de Educadora. Graduada em Ciências Biológicas pela UNIMEP. Faço o que gosto, pois sou a favor de que o trabalho deve ser um prazer. Comecei este ano a escrever, não sou da área de Linguagens, mas estou gostando desse novo desafio. Convido todos a tentar escrever, vejo que é muito gostoso imaginar."



TEMPO X TECNOLOGIA

Edgar Lopes da Silva

Que bobagem! O tempo! Ah! O tempo, insignificante... Quem dá importância ao tempo?
É interessante como não esquecemos nossas emoções, ações. Aquelas que ficaram presas em nosso DISCO RÍGIDO e não queremos conectá-las para não revivê-las. Para não nos encher de emoções e fantasias, confrontar com essa realidade muitas vezes fria com o virtual.
Esse tempo retorna com a velocidade de gigabites, e nos faz recordar tudo, tudo mesmo. E tudo vem à tona, rasgando no interior de nossas entranhas esse sentimento que o tempo não conseguiu deletar.
Percebi que passaram pessoas, amigos, colegas, endereços, amores, E-mails. Ficamos mais velhos, mais caretas, obsoletos. Algumas coisas se desconectam. Pelos brancos aparecem no corpo. E o tempo onde está?
O que eu não esperava é que viria, depois de tanto tempo, acrescentar não só uma vírgula, mas um monte de sentimentos e emoções neste tempo que, para mim, já estava perdido entre os fios na minha memória RAM, trancado no meu íntimo.
Bastou um belo par de olhos passar por mim, como se uma Web Cam estivesse a me espionar e, por mais que desviasse o meu olhar, este me consumia como dois raios brilhantes a tocar meu coração. Não compreendi, mas senti aquele olhar fazer cócegas em meu ego. Estava feliz e não reconheci que aquela pessoa havia feito parte do meu passado de um “tempo”... E que tempo!
Não foi uma ou duas passadas e flertadas, foram vários SPAMs, até que a pessoa se aproximou dizendo que já me conhecia. De surpresa, recordei! Busquei no meu disco rígido os recados gravados há tempos, os torpedos, os pequenos trechos de músicas apaixonadas, enviadas por POWERPOINT, frases de célebres autores e poetas, ligações noturnas que me fizeram dormir. De tão bom, salvei tudo. Jamais pensei em abri-las novamente. No momento, não resisti, não medi consequências. Deixei-me ser violado, como que por um vírus, um haker que ataca sem precedentes. O desejo estava ali novamente, daquele que um dia me fez feliz.
O tempo presente, o agora, nos faz desabrochar um desejo novo, como um novo programa. Ao mesmo tempo, diante de algo que não se concluiu (ao longo do tempo), percebi a chama dos olhos e ambos eram correspondidos. Não vacilamos. Nos tornamos ridículos, infantis, diante da fragilidade do sentimento e da emoção.
Só que não havíamos percebido, onde estávamos muitas coisas eram proibidas, como um mouse na mão de uma criança curiosa. Não queríamos perder tempo e, naquele momento, estávamos novamente à mercê dos olhos a nos fitar, curiosamente...
Fomos punidos. Mais uma vez, interrompidos de concluir algo tão belo, tão bonito e de ter a certeza de que não vou fechar a minha caixa de diálogo novamente, sem telefone, sem endereço, sem e-mails, sem recordar nomes. Simplesmente, ficamos ao sabor do amor, da saudade que o tempo não apagou e da certeza daquele olhar que era o elo para o grande final, que não houve.
O instante corre no tempo com a velocidade dos gigabites e parece que dura uma eternidade. Quanto à emoção, os sentimentos ficam presos na CPU da nossa imaginação, para serem clicados a qualquer momento.
O que sei agora é que “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.

Americana, 23/11/2009
Sobre o autor:

Edgar Lopes da Silva é Professor de Língua Portuguesa na E.E. Monsenhor Henrique Nicopelli - Escola de Tempo Integral -  em Santa Bábara d'Oeste - SP, atuando em classes regulares e na Oficina Curricular 'Hora da Leitura'. Participou de vários projetos realizados na U.E., como: mostras culturais e saraus literários, unindo duas de suas paixões: a literatura e o teatro, diversificando gêneros e temáticas, contando sempre com o envolvimento e interesse dos alunos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Para melhorar o atendimento é só aumentar o salário?

Sandra A. L. Camargo

É incrível! Após a notícia de que um posto médico, de um bairro da cidade, esteve sem atendimento por falta de médicos plantonistas, em tão pouco tempo, o prefeito da cidade tenta sanar o problema, aumentando o valor do salário dos médicos em questão.

Há tanto por fazer para melhorar. Tantos pais de família, servidores municipais que esperam por uma gratificação; por um salário mais justo, para dar uma vida mais digna à família e, mesmo assim, o problema da saúde do município se embasa somente no fato de que os médicos são mal remunerados.

E os pobres garis, os coletores de lixo, as merendeiras, os cargos mais humildes, será que eles estão ganhando tão bem assim?

Tanta desigualdade, que chega a ser cômica a situação. Se os mais humildes fizerem qualquer movimento, simplesmente retornarão com uma promessa de aumento de, no máximo, R$100,00 reais e uma gratificação tão insignificante, que chega a ser vergonhoso o teor dessa notícia: um médico precisa de um salário de R$ 10 mil, enquanto um gari pode ganhar R$ 400 reais.

Há, mas esqueci! Um médico lida com vidas humanas e um gari lida com o lixo gerado pelos seres humanos! Eis aqui uma boa justificativa, não?!?

Quando será que as pessoas irão parar de olhar para o seu próprio umbigo e pensar em fazer algo de bom para quem necessita? Para quem também precisa ser valorizado, hoje em dia, neste mundo em decadência, que está com os dias contados e com o destino traçado... O seu final? Será um amontoado de lixo, inútil!

Crônica escrita com base na notícia: "Plantonista terá salário de até R$ 10 mil em Americana", publicada no jornal ‘O liberal’ de 21/11/2009,  escrita pela jornalista Aline Macário.

Sobre a autora:



Sandra A.L. Camargo- nascida em Americana, em 23/06/58, cursou magistério na EE Dr Heitor Penteado. Atualmente, está readaptada, na mesma escola. “Sinto muita falta da sala de aula, onde me sentia realizada”.

Um mundo sem volta?

Andréa de Cássia Vieira Ferreira

Um dia comum, como os outros. Sento-me no sofá e ligo a televisão para um momento de descontração, juntamente com a família. Assim que aparece a primeira reportagem do telejornal, mais um fato trágico é apresentado. Não me espantei, pois, diariamente, reportagens trágicas são mostradas. Incrível! Às vezes, acho que a violência está banalizada!

O que me chamou a atenção foi o depoimento de um pai que não se espantou com o fato de o filho ter assassinado a namorada. Esse pai disse que todos os dias, ao ouvir o toque do telefone, já ouvia a sirene da polícia simultaneamente, porque o filho só lhe trazia desgostos. E, assim, aconteceu .O filho acabou de matar a namorada, noticiou o jornal.

O afeto, o carinho, a tentativa de trazer uma pessoa de volta ao mundo real, fez com que mais uma vida fosse tirada de forma tão brutal. Às vezes fico pensando se todo esse trabalho vale a pena.

Outro fato que me chamou atenção foi o depoimento da mãe de Joãozinho. A mãe chegou em casa e perguntou ao garoto:

- Filho cadê o televisor que comprei ontem?

-Virou pó, mamãe.

-E o rádio que estava perto do quarto?

-Também virou pó, mamãe.

-Tudo nessa casa vira pó! Onde vamos parar?

A mãe resolveu enjaular o filho para que nada mais na casa virasse pó, naquela casa. E, assim, o fez.

Preparou com todo carinho uma jaula para prender o filho na tentativa de livrá-lo desse mundo, muitas vezes sem volta. Mas, o enjaulado escapou e ainda ameaçou denunciar a própria mãe.

Perturbada, desligo o aparelho. Vou para a cama. O sono demora, pois a televisão continua ligada.Tentando me desligar, pergunto:

-Por que tantas leis são feitas, mas nenhuma ajuda o pai ou a mãe de um viciado a encontrar um caminho que mude o mote do telejornal?

Sobre a autora:

Andréa de Cássia Vieira Ferreira, nascida em Fernandópolis - SP, casada, mãe de dois filhos, professora de Língua Portuguesa, leciona desde 1996 e atualmente trabalha na Escola Brocatto em Santa Bárbara D’Oeste-SP.

“Digno de admiração é aquele que, tendo tropeçado ao dar o primeiro passo, levanta-se e segue em frente”.



Seca pimenteira. Eu?

 Maria de Lourdes Angelo

Esta mania de falar muito e observar pouco tem contribuído para que eu, uma mulher, supostamente, antenada, tenha passado por alguns micos de tamanhos gigantescos.

Por outro lado, ninguém tem culpa se as coisas mudam, assim, de uma hora para outra, como o ciclo das estações, o efeito radiativo e as alterações climáticas.Tudo muda ultimamente. Nada mais é estável, nem os ciclos biológicos, nem os sociais e muito menos os de valores comportamentais.

Como toda mulher apaixonada sempre procura encontrar um jeito de incutir na cabeça de seu par as inumeráveis razões e porquês de uma relação duradoura ser vantajosa. E, mesmo vivendo neste mar de instabilidades, a mulher não perde a ocasião de citar exemplos e apontar casos belíssimos de amores eternos entre casais.

É claro que ninguém vai colocar ênfase nos romances desastrosos como os da Lady Diana e o Príncipe Charles, Marta e Eduardo Suplicy, Xuxa e Luciano Zaffir. O que a gente quer é mostrar os casais que deram certo. Exemplos de perenidade, virtude e dedicação mútua.

-“Olha eu conheço um casal maravilhoso. Ele, um moço maduro, respeitável, inteligentíssimo, assumiu o romance com ela, e a acolheu com os filhos, vivem uma vida linda, harmoniosa. Passeiam, se divertem, cuidam um do outro. Um belo exemplo de que uma segunda união pode dar certo sim.”

Ocorre, porém, que já fazia algum tempo que eu não via esse casal de amigos a quem eu me referia, e não sabia que as mudanças do mundo também chegaram até eles. E, por coincidência, assim que chegamos ao Shopping, lá estava ela e as crianças.

-“Olha lá, lembra-se daquele casal ao qual eu me referi há poucos dias? Aquela colega de trabalho, sobre a qual comentei da bonita união, entre ela e um rapaz. Pois então, ela é a esposa. Vamos cumprimentá-la?

Aproximamos-nos e eu, como sempre a cumprimentei e perguntei sobre ele.

“Olá, Maria, tudo bem? E o João, como tem passado?

“Eu estou bem – disse-me ela – quanto a ele, não sei, pois faz algum tempo que não o vejo. Nós nos separamos no último verão.

Na hora fiquei sem saber o que dizer. Olhei para meu namorado e ele olhou para mim e não disse nada, mas lá no fundo estava escrita a frase que mais tarde e por muitos dias ele diria: “seca pimenteira”.

E assim fui taxada de “Seca Pimenteira” injustamente, pois cada vez que faço um comentário elogioso a respeito da boa convivência entre determinados casais, há um olhar de cumplicidade entre nós, e logo depois vem a frase “Seca Pimenteira”...


Sobre a autora:

"Nasci em 22 de abril de 1965, na pequena Brasitânia – distrito de Fernandópolis, SP. Iniciei e conclui meus estudos primários e secundários em escolas públicas. Graduei-me em Letras, na Fundação Educacional de Votuporanga-SP., e em Lingüística na UNESP de São José do Rio Preto-SP.
Iniciei a carreira de professora na rede pública no ano de 1.998, lecionei em várias escolas, e, cada uma delas ensinou-me alguma coisa de útil.
Atualmente, leciono na E.E.Maria José Margato Brocatto, em Santa Bárbara d’ Oeste-SP."