Assis Henrique Brugnera
O sentimento do absurdo é o ponto de partida da reflexão sobre a existência humana que pode ser desencadeada por uma situação extraordinária ou trivial no cotidiano da vida humana, por exemplo, tropeçar em uma calçada com buracos. Mas, o que é o absurdo? É aquilo que faço e não tem um sentido definido para minha vida.
A reflexão sobre a vida, sendo ela interior ou exterior a mim e distanciada de mim, leva ao corte do absurdo.
Se a existência humana determina o sentido para a vida, resta-nos descobrir como seria este “sentido” para melhor viver, a fim de romper com o absurdo, que se dá quando faço algo, mas não dou sentido a isso.
Uma forma para isso seria pensar sobre o sentido da existência, pois como diria Sócrates, “uma vida que não é refletida não é digna de ser vivida”. Ao colocar a racionalidade para refletir sobre a existência, eu corto o absurdo e coloco a questão genérica – “Como isso aconteceu?” – para a minha vida e de quem está ao meu lado. (O que acontecerá comigo, já que isso ocorreu?).
Devemos usar a razão para buscar as justificações que respondam a perguntas angustiantes, de forma coerente e comparativamente, sem cair no subjetivismo.
Sobre a autor:
Graduado em filosofia pela PUC-Campinas, especialista em bioética. Possui vários artigos publicados em revistas científicas. Atualmente é professor de filosofia na rede estadual de ensino.

