quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Inveja Mata

Iris Batista Silva

Sempre invejei as mulheres que não trabalham fora. Elas ficam em casa,cuidando dos filhos, do marido, da casa. Podem acordar a hora que quiserem, deitar durante o dia... Meu sonho!
Bem, esse era meu sonho até conhecer minha mais recente vizinha. A Marcela. Meu Deus! O que é aquilo? Com dois filhos, ela, praticamente, não tem o que fazer, pois não tem como fazer. Eles não deixam! As crianças passam o dia na rua e ela fica com eles. Detalhe: gritando para eles não serem atropelados. Com todas as pessoas que passam por lá ela conversa um pouquinho... uma hora mais ou menos, mas, o suficiente para descobrir a vida do coitado ou da coitada.
Quanto ao marido... É complicado. Ele quase não fica em casa. Acho que não suporta tanta gritaria. Quando fica, ela sai. E, aí, ele resolve cantar no karaokê: é insuportável!
A casa, eu sempre imaginei que seria pura organização, mas é pura desordem, e muita sujeira. Nunca tem nada. Ela vive no meu portão pedindo:linha, alho, cebola, ovo, sabão em pó e até café. Acho que a coisa anda feia por lá.
Ah! Tem outra coisa: a VIDA. É a cachorra. Estou com uma baita raiva da Vida! Ninguém merece ouvir o dia todo: Cala boca, Vida!
A minha vida está ficando quietinha de tanto ouvir isso.
Depois de um tempo observando tudo isso, perdi qualquer vestígio de inveja. Aprendi a dar valor a minha vida e, graças a Deus, tenho um trabalho e não preciso ficar ouvindo minha vizinha o dia todo.

Um pouco sobre a autora:

Iris Batista Silva nasceu na Bahia, em 1968. Ainda criança veio para São Paulo. Formou-se em Letras e em 1995 mudou-se para Americana exercendo a função de professora em escola pública. Sempre gostou muito de leitura, mas escrever nunca foi seu forte. Seu primeiro trabalho como escritora foi a crônica Inveja Mata.

7 comentários:

  1. Oh, Iris! Não me fale isso não! A primeira crônica publicada, né bem? E aqueles textos no caderninho que você nos empresta de vez em quando, hein? Não tem nenhum dedinho seu lá, não? Deixe de ser modesta! Está escondendo o leite, né? Bem, se foi o primeiro realmente, pode continuar, viu? Parabéns. Arlete

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  2. Com uma vizinha assim, repor aula no sábado fica até suportável... rsrsrs...
    Beijos!
    Edilene.

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  3. Iris, se você fosse minha vizinha não seria ruim assim, porque eu tenho uma VIDA em casa que é tudo! Minha filha(a qual chamo de MINHA VIDA).
    Um abraço!
    Cleuzeli

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Poxa colega, acho que todos temos alguns vizinhos que não tem o que fazer e ficam gritando na rua tirando o sossego de quem trabalha.
    bjs

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  6. Oi Iris, ninguem merece uma vizinha dessas, mas pelo menos é uma inspiração pra cronicar. Bjs

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  7. Oi Iris,
    Me identifiquei de cara com sua cronica. Tambem ja tive inveja de mulheres que não trabalham fora e ja tive uma vizinha que lembra muito a sua. Ninguem merece!
    Adorei!
    Bjs

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